Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade..
Ao ler-se o livro de Bruno Pessanha, percebe-se que a variedade de gêneros poéticos contida no título de seu trabalho leva a uma curiosidade: estará o poeta preso aos cânones tradicionais em seus sonetos e trovas? Não: ele alterna versos decassílabos com não decassílabos ( em seus sonetos ) e versos heptassílabos com não heptassílabos ( em suas trovas ).
Defeito? Pelo contrário: é a virtude de mostrar uma postura nova e ousada, uma discreta fuga ao tradicional, ao canônico. Os textos fluem e trazem um frescor permanente de originalidade : são jogos de palavras ( “ terceira margem do rio, / rio de mim...”) ; são aprazíveis viagens intertextuais ( “ Tire o calhambeque / do caminho / que eu quero passar / com meu trator”); são metáforas ousadas e originais ( “ Agora a saudade é parafuso de muitas voltas” / “ na alma, o vinagre da solidão”); são jogos semânticos (“ Espelho velho, / velho espelho” ); são neologismos curiosos ( “ olhativa”, “ pensamentose”, “corpurificação”); são exercícios de metalinguagem, de metapoesia (“ Poesia é falta do que fazer / no leito estreito da vida” / “O poeta é um inadequado / até mesmo na solidão.”); são personificações repletas de humanidade ( “ onde o vento passa os dedos”); são referências ao velho paradoxo camoniano do amor ( “ Amor tão alegre e tão triste”); são as surpreendentes paronomásias ( “ a bater / a abater” / “ A minha, doida e doída, / com LSD.” / “ componho sonetos e sonatas” / “ Pouco ou nada que releve, / mas muito que revele”); é uma discreta alusão ao romantismo brasileiro ( “ A saída para a vida / estará nas veredas, / nas alamedas, / ou no canto do sabiá?” ); são os efeitos lúdicos das aliterações ( “ Vera, Verinha / Vera varando meu peito” / “ Dê, pelo menos uma vez, / vez ao vento, / que o vento precisa...” / “ Mundo, / um mar sem margens, / um mar de imagens” ); são alusões cineliterárias (“ O que o vento não levou”); são doses esparsas de coloquialismos (“ de mãos dadas, numa boa” / “ Sua especialidade, agora / que a aurora já era,” / “ de rosto manjado / refletindo desgosto” ) ... Como se vê, os condimentos empregados pelo poeta na preparação deste cardápio literário são variados, exóticos e instigantes. Caro leitor, bom apetite!
Luiz Antonio Barros Professor de Língua Portuguesa do Colégio Militar do Rio de Janeiro
Nome
POEMAS REDONDOS E VERSOS DESENCONTRADOS
CodBarra
9788585720735
Segmento
Literatura e Ficção
Encadernação
Brochura
Idioma
Português
Data Lançamento
Páginas
126
Peso
210,00
Aviso de Cookies
Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.