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“Você tem um defeito congênito e poucos meses de vida”.
Já morreram os autores deste veredicto, proferido nos anos sessenta, a década que mudou tudo, mas o enfermo continua a viver e a escrever. Aqui está seu novo livro: Memórias de outra idade.
Carlos Nejar, várias vezes lembrado para o Prêmio Nobel de Literatura, tem sido principalmente poeta ao longo da vida. E poeta sempre filosofa. Quem primeiro falou de ciência foram os pré-socráticos, todos poetas. E de resto a literatura chegou ao inconsciente antes de Freud.
Somos herdeiros de um mundo guerreiro e belíssimo, conquanto às vezes desconcertante e aterrador. Carlos Nejar filia-se a essa linhagem, temperada pelo sobrenome mouro do pai agregado ao italiano Verzoni, da mãe. Ele sempre soube conciliar os prazeres do verso e o gosto da prosa. Sabe contar, cantar e encantar. Um dia deixou a terra natal, o Rio Grande do Sul, que entretanto nunca saiu dele. “O vento é quando? / É depois de ter sonhado”.
Aqui brotam também coisas por vezes assustadoras, como o caso de um autor e editor que festejou antes da hora a eleição, perdida por um voto: “Chegaram ministros, autoridades, embaixadores, generais, escritores, e se abeiravam do vinho, do uísque... e da pasta. Álvaro Pacheco aguardava, aflito, o telefonema que viria com a voz de Rachel de Queiroz”.
O poeta agradece à esposa Elza por seus “silêncios grávidos, admonitórios, ventilados de sol. Sabias que te havias ligado a alguém que, se isolando, escrevia. Alguém que devorava livros, que o devoravam”.
A mão oculta do destino, cujas transcendências não estão ao alcance de nosso entendimento, dá a este professor e escritor o privilégio de ser Van Gogh nas orelhas do livro – como chamamos esse pórtico. Imortal de várias instituições, dentre as quais a Academia das Ciências de Lisboa – mais vetusta e, talvez, com critérios mais condizentes com o ofício da luz que é escrever – e a Academia Brasileira de Letras, Nejar comenta escolhas incompreensíveis até para muitos de seus membros de longa data, mas reconhece o alto valor cultural da instituição fundada por Machado de Assis: “É a mesma luta subterrânea de poder do mundo, onde uns são mais iguais que outros”, e acrescenta: “Potência cultural e também econômica, gira ao redor de uns poucos”.
Diz Goethe no Segundo Fausto. “Acabamos de chegar. E não sabemos como foi. Basta-vos saber que aqui estamos”.
Diz Nejar: “Sei que a posteridade vai me compreender, mais do que a compreendi ao alcançá-la pela força da intuição, não do desespero”.
Nome
MEMORIAS DE OUTRA IDADE
CodBarra
9786558970286
Segmento
Literatura e Ficção
Encadernação
Brochura
Idioma
Português
Data Lançamento
14/12/2023
Páginas
436
Peso
605,00
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